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As mulheres de Criciúma andam...

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De cara

Beto Colombo

Beto Colombo

Empresário bem sucedido e rápido no gatilho, fala da sua formação e do gosto que tem em fazer escola. Nesta entrevista ao Circulando, Beto vai de vinhos, livros, echo boomer, sexo, drogas & Rock´n roll, mais Teologia da Libertação à campanha política, sem esquecer da Som Maior Premium e a sua próxima viagem, desta vez à Ásia. Tá tudo a seguir... Confira:

Circulando: Homem de negócios, intelectual, viajante. Enfim, exímio conhecedor das boas coisas da vida. Como o Beto se define?
Beto Colombo: Rápido no gatilho e gosto de fazer escola. Explicando: gosto de repassar tudo o que aprendo, exemplo disso é a forma de gestão da empresa Anjo que foi repassada para os profissionais. Também gosto de pessoas. Tem uma frase do livro do Eclesiástico que eu sigo: “Se você encontrar um homem sábio, madrugue para visitá-lo e que seu pé gaste a soleira de sua porta” (Ecl: 06:36). Essa foi a melhor forma que encontrei de como me definir.
Circulando: O Lessa (amigo e sócio) entende mais sobre política ou vinhos? Qual foi o melhor vinho que a dupla já degustou?
Beto Colombo: O Lessa entende bem sobre os dois assuntos. Há muito tempo ele degusta vinhos, por isso tornou-se um enófilo (amante do vinho). A política é o que ele respira no dia a dia. Ele trabalha pensando em política e relaxa degustando um bom vinho. O melhor vinho que tomamos juntos foi em 2004, quando compramos a Rádio Som Maior Premium; degustamos uma garrafa de Vega Sicilia Único – reserva especial, safra 1985, ano de fundação da rádio.
Circulando: Você acredita que já está na hora do Rio Maina se emancipar?
Beto Colombo: Não acredito na emancipação do Rio Maina, pois penso que é um distrito muito próximo ao centro e a legislação não permite, então para acontecer essa emancipação teria que mudar a lei nacional. O que Rio Maina precisa é que os valores arrecadados com impostos de suas empresas e o fundo de participação dos municípios retornem como melhorias, que a administração pública olhe um pouco mais para o distrito. Os movimentos de emancipação são só uma forma de protesto, de chamar a atenção para que não aconteça de novo o que aconteceu no passado, quando o carvão foi explorado e tiraram da população do Rio Maina toda a riqueza e deixaram só os rejeitos piritosos. O distrito ficou sem água, sem vegetação, sem infra-estrutura e com cheiro de enxofre gerado pelo rejeito de carvão. O povo do Rio Maina só quer carinho e atenção.
Circulando: Sexo, drogas & rock´n roll. O que esta geração deixou para as futuras?
Beto Colombo: Dias desses fiquei observando meu filho mais novo respondendo um e-mail, conversando no MSN, participando de um blog, fazendo tarefas escolares e ainda acariciando a cachorrinha com o pé. Essa geração, os echo boomers, filhos de baby boomers, os inconformados, revoltados dos anos 70, possuem uma relação mais saudável, muito melhor das que tinham com seus pais. Conversamos com eles, nos relacionamos bem. Essa juventude são amigos de seus pais. Tirando os que ficaram à margem da sociedade, que se desviaram com drogas pesadas e violência, essa geração vai fazer a diferença.
Circulando: Com o sucesso de sua empresa (Anjo Química) sua fama de administrador atravessou divisas, viajando o Brasil com suas palestras e sua filosofia de vida. Uma receitinha rápida de sucesso para os leitores do Circulando?
Beto Colombo: Não adianta querer ganhar o mundo e perder a própria vida. O sucesso hoje é de quem consegue equilibrar trabalho e lazer, na dose certa. Penso que Bob Dylan esclarece isso em uma frase. “Um homem é um sucesso se levanta de manhã e vai dormir à noite e nesse meio tempo faz o que gosta”.
Circulando: Quem são os discípulos do Beto Colombo?
Beto Colombo: Nunca vivi minha vida pensando em fazer discípulos. Se meu exemplo ajudar uma pessoa a viver uma vida melhor, já terá valido a pena.
Circulando: Você trabalhou forte pelo PT, em Criciúma. Valeu a pena ver o resultado final do governo Décio Góes?
Beto Colombo: Em 1999 eu estava cursando especialização em Gestão e Marketing pela FGV, quando fui procurado pelo Décio Góes, que era arquiteto da Anjo, para ajudá-lo na campanha. Então pensei em aplicar as técnicas numa campanha política e acabei coordenando todo o trabalho. Como experiência profissional e de vida, coordenar uma campanha se aprende muito e, este, que era o principal objetivo, foi atingido. Depois que o Décio se elegeu, em 2000, não participei mais de reuniões de partido político. Sei que minha vocação não está relacionada com o mundo político, e sim com o mundo dos negócios, filosofia e teologia. É nessa linha que estou cada vez mais preparado.
Circulando: Como dono de avião e de empresa que necessita do transporte aéreo, você foi a favor do aeroporto de Jaguaruna e ainda tem esperanças no Diomício Freitas?
Beto Colombo: Não somos donos de avião e sim duas empresas que cooperam uma aeronave com leasing operacional. Quanto ao aeroporto, se quisermos desenvolver a região de Criciúma para ser pólo regional, não podemos pensar com mesquinhez e achar que Criciúma é o centro do mundo. Se quisermos uma região forte e desenvolvida, temos que pensar em regionalizar e o aeroporto de Jaguaruna é a melhor saída para a aviação comercial. O Diomício Freitas deve ser para os outros tipos de transporte, bem como para aeroclube, escola de aviação, entre outros.
Circulando: Que provações e lembranças têm dos tempos de seminário?
Beto Colombo: É importante dizer que estudei Teologia para Leigos, nunca fiquei em um seminário. Estudei Teologia da Libertação e, na época, ser da esquerda era ser diferente. Lembro que fazíamos ensaios e movimentos de como mudar o mundo. Depois desisti de mudar o mundo e pensei em mudar apenas o Brasil, também não era tarefa fácil, então pensei em mudar Santa Catarina, depois desisti desse objetivo e queria mudar Criciúma. Descobri através do mesmo estudo teológico que a melhor forma de mudar as coisas era mudando a mim mesmo.
Circulando: Três livros publicados, um para consumo interno (Anjo) e agora o quarto. O quinto pode vir da sua ideia de ir para algum canto da Ásia meditar?
Beto Colombo: O quinto livro já está escrito e vai ser publicado até o final deste ano. O título provisório é “Dividir para Multiplicar”, que é como fazer um plano de participação nos resultados de uma empresa. A ideia de ir para a Ásia meditar é um sonho que deverá ser alcançado em 2010. Explico o motivo: em agosto deste ano concluo a especialização em Filosofia Clínica com uma viagem de estudos para a Grécia e o meu amigo Manoel termina o curso de psicologia no primeiro semestre de 2010. A nossa ideia é fazer uma viagem de seis meses que contempla Índia, China (Tibet), Mongólia, Vietnã, Nepal e outras regiões. Quem sabe poderá ser o sexto livro.
Circulando: Como separar os amigos de todas as horas dos interesseiros de primeira hora?
Beto Colombo: Todos nós sabemos como fazer isso, principalmente quem já passou dos 40. Amigos eu tenho alguns, porém, amigo confidente tenho um, talvez dois e, amigos para todas as horas são minha esposa, meus dois filhos e talvez estes dois amigos a que me referi.
Circulando: O que é filosofia clínica e como pode ser utilizada?
Beto Colombo: A Filosofia Clínica trabalha com a estruturação do pensamento. Não tratamos as pessoas como anormais ou doentes, pois sabemos que estudando a historicidade de cada um é possível descobrir onde está estruturado seu pensamento, então algumas pessoas poderão ser reorientadas se for preciso e, com isso, melhorar a qualidade de vida.
Circulando: Em suas palestras você utiliza a administração cristã como referencial de uma organização empresarial. A igreja também tem caixa dois, três, quatro e por aí vai, como algumas organizações privadas?
Beto Colombo: Penso que a Igreja não precisa se preocupar com caixa dois porque não paga impostos. Quanto às organizações privadas, não somos juízes para julgar a sobrevivência de algumas empresas que se utilizam desta forma de gestão para sobreviver. Na Anjo, nós não sonegamos um centavo, talvez seja isso que nos diferencia e nos dá liberdade para sermos a empresa mais inovadora do Brasil, no ramo químico e petroquímico.
Circulando: Muitas empresas quebram, porém seus donos possuem uma grana no exterior em paraísos fiscais. Isto faz parte do jogo?
Beto Colombo: Alguns empresários têm dinheiro em paraísos fiscais, mas penso que empreendedores preferem falir seu patrimônio pessoal e até sua saúde para salvar sua organização. Há “empresários” e empreendedores. Eu particularmente não conheço nenhum destes empresários, só sei da existência através de escândalos mostrados na mídia nacional. Não acredito nessa prática, o melhor jeito de ganhar dinheiro é investir em produção.
Circulando: Dá pra ganhar dinheiro pagando todos os impostos em dia?
Beto Colombo: Quem construir uma empresa pensando em sonegar impostos vai cometer um grande erro na vida. Há mais de uma década o serviço de informação do governo é muito melhor do que o serviço de informação das empresas privadas no quesito arrecadação. Então, construir uma empresa para sonegar é como construir uma casa na areia, vai desmoronar ali na frente.
Circulando: Para finalizar: com uma mansão em Jurerê e uma lancha a disposição, fora o patrimônio geral, o Beto ainda achou tempo pra investir em comunicação. Isto foi por vaidade ou por puro empreendedorismo?
Beto Colombo: Quanto a Jurerê, tínhamos um projeto de vida de morar em Florianópolis e centralizar a administração das empresas na Capital, isto em 2000. Os planos mudaram, mesmo assim esse investimento em Florianópolis foi acertado, estamos satisfeitos e dividimos o tempo entre Criciúma e Florianópolis. Já, o investimento em comunicação se está falando na sociedade, com o Adelor Lessa. Penso que vale uma breve lembrança de que um grupo empresarial em Criciúma estava comprando todos os meios de comunicação, talvez para outras finalidades. Então decidimos ter uma rádio que fosse a favor da cidade. Acabei descobrindo que é um grande negócio usar a forma de gestão da Anjo em uma rádio. Assim a Som Maior Premium passou a ser administrada no prédio do centro estratégico da Anjo e, a área comercial e produtora dos programas, ficaram no Mídia Center sob o comando do grande profissional Adelor Lessa. Hoje a rádio é um grande negócio para nós dois.
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