De cara
Jorge Boeira
O deputado federal Jorge Boeira que há 30 anos participa da vida de Criciúma foi o nosso entrevistado desta edição. Assumiu que já fumou maconha, fala sobre assuntos polêmicos como mensalão, aborto e se Lula realmente bebe demais, trata da Dilma e da Ideli e dá uma aula em tomar posições sobre vários assuntos. Com atuação que garantiu a vinda de mais de R$ 50 milhões para serem investidos em Criciúma, Boeira é deputado federal pelo PT pela segunda vez e se torna um forte pré-candidato já que vai para reeleição.
- Circulando: Deputado, vamos repetir uma pergunta que fizemos pra vereadora Romanna Remor em 2006 onde ela respondeu que apenas já sentiu cheiro no ar. Afinal Bill Clinton fumou e não tragou, o Bush e o Gabeira já fumaram. O que o senhor pensa a respeito da maconha?
- Jorge Boeira: Sou totalmente contra o uso e a liberação da maconha. Na juventude fumei uma única vez, não gostei e não recomendo. A maconha é o primeiro passo para o uso de drogas mais fortes e a partir daí a desgraça de muitas famílias. Aliás, encaminhei este ano R$ 500,00 mil em emendas individuais para a construção de um Centro Regional de Recuperação de Dependentes Químicos em Criciúma.
- Circulando: Por que todo “operário” quando se elege pelo PT rapidamente troca o pirão d’água pelo steak de poivre como prato principal, com exceção do senhor que já chegou no partido direto de berço esplêndido?
- Jorge Boeira: Porque o trabalhador precisa sempre comer apenas o pirão? Ele também gosta de comida e bebida sofisticadas, mas a vida lhe colocou em uma situação que precisa economizar para suprir suas necessidades básicas. Por exemplo, não nasci em berço esplendido. Quando fundei minha empresa e escolhi a cidade de Criciúma para isso, vinha todos os dias de Araranguá com uma marmita para economizar o dinheiro do almoço. Estilo empresário Bóia fria mesmo. Comecei sozinho, com um torno prestando serviço para empresas da região.
- Circulando: Por que os líderes do PT como Danúbio Soares, Zé Dirceu, entre outros políticos nunca são presos por corrupção ativa num país que só prende ladrões de galinha?
- Jorge Boeira: Cumpri o meu papel e naquela época votei pela cassação de todos os envolvidos no mensalão. Acredito que o Projeto Ficha Limpa, que ajudei a aprovar em Brasília esse mês, dá um passo nessa direção Mas precisamos reconhecer que nosso código penal precisa ser rediscutido.
- Circulando: Deputado, o senhor já se vê sentado na cadeira do Paço daqui há 2 anos?
- Jorge Boeira: Todos me fazem essa pergunta. Agradeço a confiança e o carinho das pessoas que acreditam no nosso trabalho enquanto deputado federal. Mas o meu foco está voltado para a reeleição. Acredito que em Brasília ainda posso contribuir muito com o desenvolvimento de Criciúma
- Circulando: Afinal, o Lula sempre diz que não sabe de nada, pelo menos já ouviu falar que existe um tal “pedágio”no governo do PT para se abrir as portas no Planalto para algum tipo de negociantes?
- Jorge Boeira: Se queres saber se o Lula sabia ou não do mensalão, minha opinião é, sabia. Mas seu governo nunca precisou de negociantes para abrir portas em Brasília. Ele governou para todos. Seja de oposição, seja de situação. Pergunta ao prefeito Clésio Salvaro o quanto de verba nossa cidade recebeu e receberá do governo do Presidente Lula, mesmo sendo prefeito do PSDB.
- Circulando: A candidata Dilma tem um passado perigoso, um presente de mão de ferros e um futuro duvidoso. Dá para acreditar que com o uso da máquina, ela se elege presidente?
- Jorge Boeira: Se a máquina for considerada a popularidade, a aceitação, o carisma e o respeito que o povo Brasileiro tem pelo Governo Lula, ela vai sim se beneficiar. Ter Lula como principal cabo eleitoral e com um governo realizador de obras e ações que contribuíram diretamente no crescimento do País coloca Dilma em uma situação de continuidade. Ela é a mais preparada neste momento para comandar o Brasil. Não sei se está tão preparada para ser candidata como está para governar o País.
- Circulando: Se tiver que escolher uma destas opções, o senhor opta em ser Lulista ou petista?
- Jorge Boeira: Defendo o crescimento econômico, a redução da desigualdade social, a distribuição de renda. Enfim, um Brasil melhor. O Lula e o PT defendem o mesmo projeto de sociedade.
- Circulando: Como é para um deputado federal eleito numa dita democracia observar um presidente apoiando por ai ditaduras mundo afora?
- Jorge Boeira: Para aumentar as exportações e manter ativo o comércio internacional e o superávit nacional precisamos garantir parcerias com todos os países, independentes de sua ideologia. O Brasil está se tornando um líder na América e ganhando o reconhecimento em todo o mundo.
- Circulando: Deputado, só usando cifras totalizadas, quanto o senhor trouxe em dinheiro para Criciúma especificamente nestes dois últimos anos de trabalho parlamentar?
- Jorge Boeira: Nos projetos que tive participação aproximam-se de R$ 50 milhões.
- Circulando: A senadora Ideli Salvatti decepcionou muita gente como líder do governo no senado defendendo os corruptos e corruptores do governo Lula, inclusive gente de outros partidos como o ex-presidente Sarney. Como o senhor analisa isto?
- Jorge Boeira: A senadora não defendeu corruptos ou corruptores. Ela defendeu a governabilidade. Nunca na história de Santa Catarina se garantiu a vinda de tantos recursos para serem investidos no estado. Para isso ela teve que engolir muitos sapos, até sapo de bigode.
- Circulando: De todas as suas iniciativas aqui para o sul, qual foi a que lhe trouxe mais satisfação pessoal pelo dever cumprido de promessa feita e entregue?
- Jorge Boeira: Sem sombra de dúvidas o trabalho relacionado à área de educação que garantiu a instalação da Universidade Federal de Santa Catarina, com campus na região sul e a obra do Instituto Federal, no bairro Próspera, que vamos inaugurar esse ano. Mas a que mais me emocionou foi a Escola Profissionalizante do Bairro da Juventude. Não imaginas a sensação de dever cumprido no ato de inauguração dessa obra.
- Circulando: FHC deixou o país na medida certa pro Lula fazer a festa. Luva vai deixar o país como para o próximo presidente?
- Jorge Boeira: A política econômica do governo Lula é totalmente diferente da era FHC. Antes se dizia que o país precisava crescer para distribuir renda, Lula distribuiu renda para fazer o Brasil se desenvolver e foi essa política que fez nós vencermos a maior crise econômica. Na era FHC a Taxa Selic estava 27% e hoje está 9,5%. O Risco Brasil estava 2,7 mil pontos e hoje está mais ou menos 200 pontos. Isso significa que pagamos 2% e não 27% de juros. Em relação ao FMI, o Brasil devia U$ 14 bilhões e hoje somos credores em mais de U$ 10 bilhões sem falar nas reservas internacionais que tínhamos U$ 15 bilhões e hoje somam U$ 240 bilhões. Por tanto, o país está preparado. Precisamos avançar ainda mais na lógica da distribuição de renda para continuar crescendo. O Trem do desenvolvimento construído pelo presidente Lula está nos trilhos e a Ministra Dilma é a mais preparada para estar nele.
- Circulando: O senhor tem a imagem de um político independente, ponderado e que come pelas beiradas. De onde vem esse estilo mineirinho de ser?
- Jorge Boeira: (Risos) Não sou mineirinho. O mandato não é meu, é da sociedade, das pessoas que votaram e acreditaram em mim. Portanto meu voto, meu trabalho é nesta direção.
- Circulando: Antes de ser político o que o empresário Jorge Boeira fazia?
- Jorge Boeira: Estou deputado federal, mas sou mesmo engenheiro mecânico. Fui professor Escola Técnica Federal de SC, formado em Engenharia Mecânica pela UFSC e administro junto com minha filha Natália e demais colaboradores, nossa empresa no ramo de metal mecânico.
- Circulando: O senhor trocou o PMDB pelo PT. Avaliando as conjecturas, de uns tempos pra cá não seriam dois partidos que viraram farinha do mesmo saco?
- Jorge Boeira: Todos os partidos têm pessoas boas e ruins. Focadas na ética, na moral, ou não. Entendo que os erros individuais não podem ser pagos de forma coletiva. Até a igreja possui problemas, com pessoas que cometem erros localizados, mas a instituição não pode ser penalizada por esses equívocos localizados e individuais. A instituição é merecedora de nosso respeito.
- Circulando: Boeira não polemiza, diz. Boeira não discute, explica. Boeira não promete, cumpre. Com esta marca de homem de atitude, seu nome não seria o melhor exemplo de que o voto na pessoa e não no político de carteirinha é muito mais importante que a sigla que abr
- Jorge Boeira: Precisamos é trabalhar para que os partidos tenham pessoas com essa postura e não pessoas mais fortes que o partido. As pessoas de bem, corretas, éticas, devem participar da política diretamente, caso contrário outras irão. Mas agradecido pela imagem que as pessoas têm de mim. Gosto de me comprometer realmente com aquilo que posso cumprir.
- Circulando: Já não tá na hora de uma legislação correta sobre a carga tributária no Brasil, ou o governo Lula que enrolou 8 anos vai jogar isto para frente como os outros governantes fizeram?
- Jorge Boeira: A Reforma Tributária não sai por interesse dos Estados. O projeto possui dois eixos conflitantes. O primeiro é a Federalização. Legislação que acaba com a quebra fiscal do ICMS. Neste ponto os pequenos Estados não têm interesse em votar. O segundo é a transferência da arrecadação do ICMS da origem para o destino. Neste caso os grandes Estados e que são industrializados não têm interesse. Nas duas situações os deputados votam conforme o interesse dos seus Estados. A reforma Tributária não sai por culpa do Governo Federal, mas sim por interesses de cada Estado brasileiro.
- Circulando: É verdade que o presidente Lula bebe de mais?
- Jorge Boeira: Não sei. Nunca vi ele bebendo pessoalmente. Já o vi fumando cigarrilha em momentos mais informais.
- Circulando: Qual é a mais bonita? Dilma ou Ideli?
- Jorge Boeira: Todas as mulheres de grande alma, boa índole e que se dedicam parte do seu tempo ao coletivo são belas mulheres. Mas cá entre nós, o Serra não passa por galã, não é? (Risos)
- Circulando: O senhor reside em Criciúma há quanto tempo deputado?
- Jorge Boeira: Participo da vida e do crescimento econômico de Criciúma nos últimos 30 anos. Tenho um apartamento na Praça do Congresso e sempre que a agenda me permite estou na cidade.
- Circulando: Como o senhor avalia a ganância encabeçada pelo Rio para manter os royaltes do Pré Sal, liberada pela câmara para todos os municípios brasileiros?
- Jorge Boeira: O “mar territorial” é da união, por tanto, toda a camada do pré-sal e do pós-sal, é riqueza do povo brasileiro. Acredito que nem mesmo o calçadão de Copacabana, por ficar em área dentro do “mar territorial” pertença mais aos cariocas, mas sim uma beleza nacional e de todos.
- Circulando: O aborto é ainda um assunto muito difícil para um político se posicionar. O senhor, afinal, vai fugir da resposta se é contra ou a favor do aborto?
- Jorge Boeira: Sou a favor da vida. O aborto é uma questão de saúde pública e possui uma legislação especifica para tratar do assunto, inclusive com clausulas que tratam das exceções. Não tenho problema nenhum em debater o assunto.
- Circulando: Criciúma ou Araranguá?
- Jorge Boeira: Araranguá foi onde vivi minha infância e adolescência. Não tenho como negar minhas raízes. Criciúma é onde gero emprego, desenvolvimento e construí muitos amigos. Uma cidade que me deixa orgulhoso. Uma terra de empreendedores, pessoas vitoriosas. Tenho um carinho enorme por Criciúma. Aliás, nenhuma praça no mundo tem a energia da Nereu Ramos no sábado pela manhã, o redondo precisa voltar e o Tigre é nossa unanimidade.
- Circulando: A BR-101 virou lenda. Por que novamente o sul de Santa Catarina é jogado as traças pelos governantes federais?
- Jorge Boeira: Não é lenda. É Lerda. Mas o problema não é o governo e sim as empresas que afundaram no preço e não conseguem dar conta da obra. Se o governo tirar a empresa do lote vai precisar fazer nova licitação e ai demora mais ainda. Por isso, estamos tentando resolver. Já tiramos (Dnit) três empresas do trecho e existe a promessa daquelas que ficaram de dar novo ritmo. Mas em relação ao sul, sua afirmação é infundada. O governo Lula não abandonou. Todas as grandes obras de compromisso do Governo Federal estão em andamento. Cito a BR 101 (prometida e reprometida pelo FHC), o Porto de Imbituba que será um grande porto do sul do Brasil, inclusive comigo e a senadora Ideli salvatti, garantindo R$ 50 milhões para o aumento do calado, aeroporto regional, Serra da Rocinha (BR 285 que vai ligar Timbé do Sul ao norte, noroeste gaúcho, construção do canal auxiliar do Rio Criciúma, as obras de saneamento básico na cidade, a ferrovia litorânea, que vai ligar os portos de Imbituba, Itajai, São Francisco a malha ferroviária nacional, a instalação da UFSC, com campus no sul, a instalação do Campus do IFET em Araranguá e Criciúma, no bairro próspera, com inauguração já esse ano. São várias ações que mostram o compromisso do Governo Lula e da Dilma com essas obras, todas reivindicadas há anos e que, de uma forma ou de outra, estão acontecendo e vão transformar o sul de SC.