De cara
Maicon Sizenando
Ele conseguiu realizar sonhos que muitos garotos do Brasil compartilham: se dar bem no futebol, jogar na Europa e vestir a camisa da Seleção Brasileira. Maicon Sizenando, o menino da Vila Zuleima, representa a cidade de Criciúma no cenário nacional e na seleção. De férias na cidade, no mês de julho, o lateral da seleção respondeu algumas perguntas para a Revista e o site Circulando. Afirma de forma convicta não ser muito de festa, porém enquanto respondia tomava uma cervejinha. Desconversou sobre uma possível negociação com o Chelsea do Felipão. Disse sentir um carinho especial pelo Cruzeiro. E afirmou: Dunga fica na seleção até a Copa do Mundo. Para Sizenando duas vitórias serão suficientes para reconquistar a confiança da torcida.
- Circulando: Como é vestir a amarelinha?
- Maicon Sizenando: Não tem explicação para isso. É um sonho de moleque, de criança, e acabei realizando. Via Ronaldinho, Ronaldo, Rivaldo, todos aqueles craques com a camisa da seleção e sempre sonhava em ter uma oportunidade de vesti-la. E tive a oportunidade de usar a amarelinha e jogar com quem eu via pela televisão. Isso pra mim é maravilhoso.
- Circulando: O que aconteceu de fato com o atacante Adriano na Itália? Como você observa este retorno dele aos gramados em busca do tempo e reconhecimento perdido devido aos excessos em Milão?
- Maicon Sizenando: Foi complicado. Acho que todo jogador passa por este momento que ele passou. O atacante não faz gol e a cobrança começa a ficar maior. Até porque ele é um ídolo dentro do futebol italiano por tudo que fez. Você começa a não fazer gol, não joga bem e as cobranças aumentam. Foi isso que aconteceu e a volta esta sendo um momento especial na vida dele. Nós estávamos juntos na seleção e ele comentou isso comigo. Torcemos para que ele possa fazer uma boa temporada no Inter de Milão, lá comigo e nossos companheiros, para conseguirmos alcançar os objetivos deste ano.
- Circulando: O assédio feminino aumentou dos tempos de juniores para o de atleta profissional e consagrado? As famosas Marias chuteiras...
- Maicon Sizenando: Ah isso não existe... (pausa para formular a resposta) sempre fui bem recebido, e todos me tratam bem, independente se é homem ou mulher. Tu tens que ter tranqüilidade ao lidar com essas coisas. Mas algumas exageram. Teve uma que pulou na frente do meu carro, outra que chutou o pneu do meu carro. No Brasil? Aham. Aqui em Criciúma? Aham. (risos)
- Circulando: Para a turma que adora Itália você recomenda algum restaurante em Milão? E uma casa noturna, claro?
- Maicon Sizenando: Tem uma churrascaria que se chama Berimbau, o dono é brasileiro, e os italianos freqüentam muito. Tem outro restaurante de um amigo italiano, o Távora Redonda. Ele vende massas e carnes. Quem for a Milão e puder ir nesses restaurantes vai gostar bastante. Não sou muito de sair, mas quando podemos sair vamos a um bar que se chama Onda Noma, perto do estádio San Ciro. É um lugar bacana, com clima praiano e para o pessoal aqui de Criciúma que tem a praia perto é bem aconchegante. Quem quiser aparecer por lá o nome do dono do bar é Roberto. Se falar no meu nome vai ser bem recebido com certeza.
- Circulando: Você tem algum objetivo maior agora? Um time que sonha em jogar?
- Maicon Sizenando: Não, estou muito feliz no Inter de Milão que é um time grande da Europa. Meu objetivo maior é disputar uma Copa do Mundo pela seleção e vou fazer de tudo para conseguir em 2010. Eu sei que é difícil, é uma batalha complicada, mas vou treinar e me dedicar.
- Circulando: A maioria dos grandes jogadores brasileiros vem de origem pobre, e chega numa fase onde começam ter muito dinheiro. Isso pode fazer a pessoa “perder a linha”?
- Maicon Sizenando: Depende da pessoa, tem gente que perde outros não. Dinheiro meche muito com a cabeça da pessoa e você tem que ter alguém do seu lado para ajudar nesse momento. Eu tenho esta pessoa, dinheiro nunca subiu para minha cabeça e nem vai subir tenho certeza disso. Não ligo para os bens materiais e procuro fazer meu trabalho que é jogar futebol.
- Circulando: O que vem acontecendo com a Seleção Brasileira na era Dunga?
- Maicon Sizenando: Quando vou dar uma entrevista e tem uma pergunta dessa fico triste. Seleção brasileira é seleção brasileira, e todo mundo quer ver espetáculo. Todos querem ver goleada e isso não está acontecendo nos últimos jogos. Mas é como falo sempre: tem que ter paciência e tranqüilidade. O grupo é jovem e está querendo buscar seus objetivos também. Tenho certeza que, de repente, nas próximas partidas da eliminatória podemos responder à altura ao torcedor e a nós mesmos. Nós jogadores também ficamos chateados com as últimas atuações e temos certeza que vamos dar a volta por cima nesta situação. Tenho certeza que o Brasil vai estar no mundial, porque o grupo é bom e vai demonstrar isso no decorrer da competição.
- Circulando: O sonho do jogador brasileiro sempre foi vestir a camisa da seleção e jogar fora do país, este pensamento ainda é predominante?
- Maicon Sizenando: Vai de cada jogador. Eu, por exemplo, sempre vou querer vestir a camisa da seleção independente de onde eu estiver jogando. Esse é um objetivo. Agora por outro jogador não posso responder. Existe uma situação complicada, a de você estar jogando na Europa e na seleção não estar jogando e ficar no banco. Pode ficar chateado porque no seu clube você joga e na seleção não.
- Circulando: Como é morar em Milão e ser uma estrela do futebol?
- Maicon Sizenando: Milão é uma cidade muito aconchegante, tranqüila, boa, fria – muito fria - e neva. Em todos os lugares aonde vou sou bem recebido. Adaptei-me super fácil a Milão, a língua é bem similar a nossa. E a estrela deixa de lado porque não sou estrela. Sou um jogador como qualquer outro, estou vivendo um momento muito bom e espero que isso possa continuar.
- Circulando: Criciúma, depois de tantas viagens pelo planeta, ainda é a melhor cidade do mundo para se viver?
- Maicon Sizenando: Não é como se fosse o melhor lugar do mundo, fui criado aqui, tenho meus amigos aqui, então sempre venho a Criciúma revê-los. É uma cidade que me dá confiança, respiro o ar de Criciúma e fico melhor. Sempre procuro vir para cá quando estou de férias. Fico muito feliz, pois por onde eu passo, ou aonde vou, todos me tratam super bem. Isso pra mim está sendo muito legal e quero viver isso sempre: chegar aqui e ser bem recebido.
- Circulando: E quando surgir a aposentadoria, pensa em voltar a morar na cidade?
- Maicon Sizenando: Não sei... ainda tem muita coisa pela frente, muita água para passar embaixo da ponte. Não é o momento de decidir onde ficar. Mas não tenho dúvida que a maioria do tempo vou ficar em Criciúma, por ser uma cidade que gosto muito e ter minha família e meus amigos aqui. A tendência é ficar por aqui, mas a gente não sabe o dia de amanhã.
- Circulando: Pensa em continuar no futebol após a aposentadoria? Comandando alguma equipe talvez?
- Maicon Sizenando: Não. Meu pensamento é de criar o maior caixa possível da minha vida para ficar tranqüilo. Ajudar meus familiares, todos que estão ao meu redor, e viver uma vida tranqüila. Ter a tranqüilidade de pagar as contas, porque isso é muito importante. Investir bem e depois daqui uns seis ou sete anos parar tranqüilo e não passar dificuldades. O esporte é curto e você tem que saber aproveitar.
- Circulando: Próxima temporada. Confirmado na Inter ou pode surgir algo aí novo de última hora?
- Maicon Sizenando: Estou esperando os caras ligarem para eu voltar. Estou na expectativa se eles vão me dar mais tempo de férias. O campeonato italiano começa dia 31 de agosto e a preparação já começa na metade de julho. Sobre negociação não sei de nada e ninguém falou nada comigo. Isso é com eles (referindo-se ao clube).
- Circulando: O pouco tempo para treinos e convívio com o grupo que forma a seleção dificulta o entrosamento?
- Maicon Sizenando: Nos últimos jogos estávamos tendo dois ou três dias antes da partida. Todo mundo estava cobrando tempo e tivemos esse tempo agora, mas deu tudo errado. Quando tínhamos dois ou três dias estava dando certo... complicado. O problema maior são as datas. Só quando é uma competição como a Copa América que existe mais tempo para depois começar o torneio. Por exemplo: você joga no seu clube no domingo e na seleção na quarta. Treina na terça e joga na quarta. Quando é amistoso, ou jogo da eliminatória, é muito complicado. Nos que jogamos na Europa temos que viajar 12 horas até o Brasil, para treinar um dia ou dois, jogar e ter que voltar novamente para jogar no final de semana. Você chega lá um bagaço da laranja. (risos) Mas é nossa vida, escolhemos isso. Quero ser convocado sempre e vou chegar inteiro para jogar em todas.
- Circulando: E o Felipão no Chelsea?
- Maicon Sizenando: Tive a oportunidade de trabalhar com ele no Cruzeiro, fico feliz com o momento que ele esta vivendo. Viveu momentos bons na seleção Brasileira, na Portuguesa, e no Cruzeiro quando eu estava lá. Ele foi excelente na nossa campanha. E agora ele tem essa oportunidade de ir por Chelsea e vai dar certo. Porque é um treinador campeão, tem história dentro do futebol mundial e tenho certeza que vai dar certo no Chelsea também.
- Circulando: Quais são seus melhores amigos do futebol mundial?
- Maicon Sizenando: Adriano, Maxuel, Júlio César são grandes amigos que eu tenho no futebol. Também o Luizão que joga no Benfica.
- Circulando: E a concorrência? Tens inimigos?
- Maicon Sizenando: A concorrência sempre vai existir, não adianta, e ela é boa também. Você tem que estar sempre ligado. Eu tenho dentro da seleção, então tenho que estar ligado e fazer o melhor de mim para não perder a vaga. Claro respeitando o colega, a opinião do treinador, o clube, mas querendo sempre jogar. Você tem que ter tranqüilidade para esperar seu momento. Meu momento é esse, acho que ele chegou e não vou desperdiçar. Inimigos não tenho. Ninguém tenta trapacear e nem dá mais. Agora tem câmera para todo lado, ta virando o Big Brother já.
- Circulando: Por causa das más atuações, a derrota para o Paraguai, as outras seleções mundiais perderam o respeito com a seleção brasileira?
- Maicon Sizenando: Olha acho que como a gente respeita as outras seleções eles também tem que respeitar a seleção brasileira. A seleção é penta campeã mundial e é formada por jogadores de altíssimo nível. Quando vamos jogar eles respeitam muito a seleção brasileira e tenho certeza que não vamos perder isso.
- Circulando: Todos sabem da rivalidade no futebol que o Brasil e Argentina têm. Como é jogar contra eles?
- Maicon Sizenando: Jogar pela seleção contra a Argentina em um estádio onde tenho boas recordações foi muito especial e vou guardar essa lembrança pelo resto da minha vida. É o clássico que todo mundo quer jogar, e o jogo que ninguém quer ficar de fora. Pena que deu empate. Não conseguimos fazer o melhor da gente, mas vai ter outra oportunidade onde vamos poder fazer melhor.
- Circulando: Mancini é passado, Morinho tem fama de disciplinador e exigente ao extremo. Como você espera esta relação com o novo técnico?
- Maicon Sizenando: Super boa. Começando pela língua, ele fala português e isso vai ajudar bastante. Tomara que ele dê certo no Inter de Milão junto comigo e os companheiros para que possamos fazer uma boa temporada. Agradeço ao Mancini por ter me dado a oportunidade de ter jogado no Inter de Milão, um clube grande da Europa. Devo muito a ele. Mas é passado, eu tenho que estar ligado para fazer melhor do que já vinha fazendo. Sobre a fama de durão do técnico.... A dureza existe quando está treinando, depois que o treino acaba a amizade sempre acontece. Independente se ele é um cara durão, um cara que vai exigir bastante.
- Circulando: A imprensa européia é igual ou tão exigente que a brasileira?
- Maicon Sizenando: Não é muito diferente não, é até um pouco mais exigente que aqui. Tem mais jornais do que no Brasil, então a cobrança é muito grande. Mas eu não procuro ler jornal, ouvir rádio e ver TV. Isso pode atrapalhar dentro do campo. Imprensa é aquilo: se você estiver jogando bem eles vão te ajudar, mas se estiver jogando mal vão te derrubar. Eles têm a prioridade maior de derrubar a pessoa. Estou tranqüilo quanto a isso, não procuro esquentar a cabeça. É ter paciência quando eles elogiarem e quando eles cornetiarem. É o trabalho deles, tem que fazer, só que às vezes exageram. Nós também às vezes exageramos. Um exemplo é o Adriano, o cara tava bem e estava no céu. Era o Imperador e depois acabaram com ele.
- Circulando: Se o Dunga estiver é mais fácil?
- Maicon Sizenando: Independente se for o Dunga, ou outro treinador, vou fazer de tudo para conseguir competir um mundial.
- Circulando: Está cedo para falar sobre isso, mas a despedida no futebol pode ser, por exemplo, Criciúma x Inter de Milão no Heriberto Hülse ou mesmo no San Ciro?
- Maicon Sizenando: Seria maravilhoso jogar no estádio do Criciúma, seria um sonho. Mas é algo difícil de acontecer. O Criciúma tem que ganhar uma Libertadores ou um outro campeonato de alto nível para chegar a jogar com a gente ou fazer um amistoso algo assim.